Nesta quarta-feira (9), a Apple anunciou o iPhone Duo durante o evento anual da empresa, marcando a estreia da marca no segmento de smartphones dobráveis. E um detalhe do lançamento chamou atenção por trazer de volta uma declaração histórica de Steve Jobs, feita há quase duas décadas.
O novo aparelho adota um formato semelhante ao de um livro, com uma tela externa destinada ao uso tradicional e um painel interno maior, revelado quando o dispositivo é aberto. Assim, o iPhone Duo pode funcionar tanto como um smartphone convencional quanto como um aparelho com uma área ampliada para aplicativos, vídeos e outras tarefas.
Transformar o celular em uma espécie de pequeno caderno digital será uma das possibilidades para quem tiver um iPhone Duo em mãos. O primeiro dobrável da Apple terá suporte à Apple Pencil com USB-C, recurso que aproveita as duas telas do dispositivo.
A novidade também coloca o aparelho à frente do Galaxy Z Fold8 em um aspecto importante voltado à produtividade. Mas foi justamente a presença da caneta, agora opcional e associada a uma tela maior, que fez internautas resgatarem uma das falas mais lembradas de Steve Jobs.
Durante o lançamento do primeiro iPhone, em 2007, Steve Jobs explicou por que a Apple havia decidido não utilizar uma caneta stylus naquele dispositivo que revolucionaria o mercado de celulares. Com seu carisma característico, Jobs declarou:
"Agora, como vamos comunicar isso? Não queremos ficar carregando um mouse por aí, certo? Então, o que vamos fazer? Ah, uma caneta stylus, é? Vamos usar uma caneta stylus. Não. Quem quer uma caneta stylus? Você tem que pegar, guardar e perde. Que nojo. Ninguém quer uma caneta stylus. Então, vamos deixar para lá."
A fala, feita há 19 anos, ganhou um novo significado com o anúncio do iPhone Duo e seu suporte à Apple Pencil com USB-C.
No X, antigo Twitter, um usuário publicou a declaração de Steve Jobs para destacar a aparente contradição entre o pensamento apresentado em 2007 e o recurso disponível no novo aparelho da Apple.
Mas outro usuário respondeu ao comentário e fez questão de contextualizar a declaração original do fundador da Apple. Para ele, a crítica de Steve Jobs era direcionada aos telefones que dependiam obrigatoriamente de uma caneta para funcionar.
“Você está perdendo o contexto da declaração original, que era sobre telefones que EXIGIAM uma caneta stylus. Décadas depois, há um uso definitivo para uma caneta stylus opcional em uma tela maior.”
E é justamente aí que está a grande diferença apontada pelo internauta: no iPhone Duo, a Apple Pencil com USB-C aparece como um recurso opcional para aproveitar a área maior da tela do aparelho dobrável, enquanto a crítica feita por Steve Jobs, em 2007, estava relacionada à necessidade de carregar uma stylus para utilizar um telefone. Quase duas décadas depois, a velha frase "Ninguém quer uma caneta stylus" voltou à discussão, agora em meio ao lançamento mais ousado da história da Apple.